quarta-feira, 27 de julho de 2016
Um novo começo
O final da gravidez de Francisca teve muitas complicações de saúde. Ela teve que ir para a cidade para fazer acompanhamento médico. Carmelinda, então, preocupou-se, porque não havia mais ninguém para ajudá-la na fazenda. Foi quando Dirce também começou a se preocupar, pois Carmelinda, que sempre a ajudou, estava precisando de ajuda. Nesse momento, Dirce pensou em largar os estudos, para poder ajudar quem sempre lhe ajudou, quem sempre auxiliou sua família quando estava precisando. Carmelinda sempre esteve disponível para lhes ajudar no que era preciso, quer por motivos financeiros quer para ajudá-los na alimentação ou na saúde. Assim, vendo as dificuldades de Carmelinda, Dirce percebeu a necessidade de ajudá-la.
Dada as dificuldades, Carmelinda resolveu ficar só na fazenda, trabalhando. Não havia mais tempo para ir à cidade. Seus serviços na fazenda eram muitos, estando sozinha, sem ajuda para fazer todo o serviço.
Em um final de semana, quando Tida retornou diretamente para a fazenda, para visitar seus pais, ele não quis ir para a cidade, pois via que sua mãe e seu pai estavam sozinhos. Tida ajudou seus pais naquele dia. Ele passou a tarde embalando os doces para, no outro dia, levá-los para cidade e vendê-los. E ali ficou, na companhia de seus pais, por mais algumas horas. A noite foi chegando e sua mãe foi cuidar da janta para seus funcionários e filhos. Enquanto o jantar era preparado, Tida se preocupou em arrumar os produtos na caminhonete de seu pai. Neste dia, Tida se preocupou em jantar cedo, pois estava muito cansado e precisava ir muito cedo para cidade, para vender os doces e os outros produtos colhidos nas plantações da fazenda. Seu irmão Laucidio, que já estava na cidade, também iria vender a produção daquela semana.
Quando o dia amanheceu, Tida tomou o café da manhã junto com seus pais e, em seguida, foi para a cidade vender seus produtos. Chegando à cidade, passou na casa onde Dirce estava morando e pegou seu irmão que estava junto com Francisca.
Ele sabia que ali, na casa de sua mãe, estava uma pessoa muito especial para ele.
Quando Dirce viu Tida chegando, ficou muito feliz em revê-lo. Tendo muito serviço naquela manhã, Tida pediu para Dirce cuidar do almoço, porque ele não ia voltar para a Fazenda Palmital antes do almoço. Como sempre, Dirce preparou o almoço, com muito carinho, pois além de Francisca e Laucidio, alguém muito especial estaria ali para almoçar.
Por ser uma sexta-feira, durante as vendas, Tida pensou muito. Ele sabia que o final de semana ia ser de muito serviço para sua mãe. Foi então que resolveu conversar com Dirce, para que ela fosse ajudá-lo na fazenda. Prometeu-lhe ainda que, logo mais a noite, ele voltaria com ela para que ela fosse estudar. Quando Tida chegou em casa, foi conversar com Dirce. No começo, ela ficou em dúvida, pois naquele dia haveria prova e, se algo acontecesse, ela não poderia voltar até a cidade. Entre uma conversa e outra, Tida conseguiu convencê-la e, assim, logo depois do almoço, eles voltaram para a fazenda.
Durante o caminho de volta, entre uma conversa e outra, Tida declarou seus sentimentos por Dirce. Como Dirce também começou a se sentir a vontade, para conversar sobre seus sentimentos, ela falou-lhe que só não havia conversando isso antes por medo de perder a oportunidade de estudar. Com essa conversa, a viagem tornou-se mais agradável e a conversa dos dois continuou até a chegada na Fazenda Palmital.
Quando chegaram à fazenda, Carmelinda ficou muito surpresa com a atitude de Dirce. Ela não esperava encontrá-la, mesmo que fosse por algumas horas. Assim, as duas passaram aquela tarde trabalhando. Dirce, sempre muito alegre com que fazia e, agora, ainda mais feliz, pois havia conversado com Tida e tinha percebido que suas expectativas sobre aqueles sentimentos tinham sido correspondidas. Trabalhando ao lado de Carmelinda, as horas foram passando, sem que percebessem. Enquanto as duas trabalhavam em casa, Tida trabalhava com seu pai nas plantações em torno de casa.
No final da tarde, Tida foi chamado para levar uma encomenda de sementes na fazenda de seu tio. A fazenda ficava a algumas horas de viagem dali. Sem se despedir de sua mãe e de Dirce, Tida saiu de viagem para levar as sementes. O seu tio já estava com a terra preparada para o plantio. Já havia passado até o adubo. Era só chegarem as sementes e plantar.
Ao saber da viagem, Dirce ficou sem entender o que estava acontecendo, pois havia combinado com Tida que voltaria a cidade antes do anoitecer. Ela havia deixado claro que haveria uma prova naquela noite. As horas foram se passando e Tida não chegava para levá-la para cidade.
Dirce então ficou ajudando Carmelinda com o jantar. Naquela noite, muitos funcionários estavam trabalhando na plantação de arroz e iriam ficar para comer. Mesmo ajudando Carmelinda, Dirce ainda tinha a esperança de que Tida chegasse a tempo para levá-la até a cidade.
Como era sexta-feira, Tida não se importou com que Dirce fosse até a cidade. E aproveitou para jantar com seus tios. Fazia algum tempo que ele não os visitava. No meio da conversa, antes do jantar, Tida resolveu trabalhar com seu tio no sábado.
Na casa de seus pais, Dirce continuava preocupada com as horas, pois sabia que se perdesse aquela prova, perderia o ano na escola. Ela também tinha muito medo que Carmelinda perdesse a confiança nela. Para Dirce, aquela era uma oportunidade para garantir o seu futuro e a de seus pais. Como as horas iam passando e Tida não chegava, Dirce percebeu que perderia a prova. Vendo a ansiedade de Dirce, Carmelinda resolveu preparar um quarto para ela dormir. Disse-lhe também para não se preocupar, pois haveria outras oportunidades para fazer a prova. Falou-lhe que não haveria como perder o ano, pois era uma ótima aluna. Ela recuperaria fácil as notas. Dirce ficou quieta, ouvindo, mesmo sabendo que aquela seria a última chance para conseguir as notas, de passar de ano naquele ano.
Dirce foi ajudar Carmelinda a lavar toda a louça do jantar e a organizar algumas coisas para o café da manhã do dia seguinte, que seria servido muito cedo. Dirce fez o serviço muito pensativa, sem muita conversa. Carmelinda a achou muito estranha, mas a entendia, pois sabia que ela estava muito preocupada com a aquela situação. Logo que terminaram de preparar o café da manhã, todos foram dormir. Mas Dirce já sabia que aquela noite não conseguiria dormir, tentando entender o porquê ele não havia voltado.
Quando Carmelinda e Clarindo levantaram para ir tirar o leite das vacas, Dirce ainda não havia dormido. Depois que os dois saíram, ela conseguiu dormir um pouco, até a hora que seu despertador tocou.
Enquanto isso, na fazenda do tio de Tida, todos haviam jantado e também tinham ido dormir. Mas Tida estava ali, na imensa varanda que havia na casa de seu tio, pensando. Sabia que seu quarto estava arrumado e, como Dirce, também não conseguia dormir. Pensando se havia feito a coisa certa. Em ter ficado ali, no seu tio, para trabalhar no dia seguinte. Mas o que mais o incomodava era pensar o que Dirce iria pensar sobre ele. Pois haviam combinado em voltar para cidade. Não havia cumprido com sua palavra. Pensativo, ele ficou ali, na varanda, durante algumas horas, até que não conseguiu mais controlar o seu sono e foi deitar, pois sabia que seu tio, assim como seu pai, iriam levantar muito cedo para ir trabalhar.
Quando o dia amanheceu, Dirce já havia terminado de preparar o café da manhã, que seria servido aos funcionários que iriam trabalhar na colheita de arroz daquele sábado. Quando Carmelinda e Clarindo chegaram do mangueiro, onde tiraram o leite de aproximadamente 50 vacas leiteiras, Dirce já havia preparado o café da manhã e já tinha colocado a mesa, junto com os pães que havia assado no dia anterior. Faltava apenas o leite, para ferver e colocar a mesa. Alguns dos funcionários também gostavam de comer comida, arroz, feijão e carne, antes de sair para trabalhar. Outros levavam a comida em uma marmiteira, para comer quando desse fome durante a manhã. Às vezes, o serviço era tanto que a hora do almoço poderia atrasar, pois tinham que terminar a leira. A meta era fazer, no mínimo, de 8 a 10 leiras durante a manhã. À tarde, fariam mais 10 a 15 leiras, que seria colhida até o inicio da noite.
Depois que todos saíram para trabalhar, Dirce ficou ali, arrumando a cozinha. Tinha que deixar tudo organizado para o almoço. Fazia seu serviço com tristeza no olhar, sem entender porque Tida tinha feito aquilo. Carmelinda, percebendo a tristeza estampada em seu olhar, resolveu ir conversar, para entender o que estava acontecendo. Assim, as duas foram fazendo o serviço e conversando. Carmelinda sabia que ela não estava bem, mas Dirce não falava o que estava realmente acontecendo. Carmelinda então resolveu dispensá-la, para visitar seus pais na Fazenda Aldeia.
Enquanto isso, na fazenda onde Tida estava, todos já haviam começado a trabalhar. Tida queria terminar logo o seu serviço, para poder ir embora e tentar esclarecer todo aquele mal ocorrido. Queria continuar a conversa com Dirce, pois sabia que aquele era o momento para os dois começarem a namorar. E assim foi seu dia, contando cada segundo para ir embora. Para Tida seria muita falta de respeito não cumprir com o combinado com o tio. E ali ele ficou até o final da tarde, trabalhando.
No inicio da noite, quando Tida terminou o serviço, pediu para seu tio para ir embora, pois estava muito cansado de trabalhar com o trator. Seu tio ainda insistiu para que ele ficasse, mas ele sabia que se ficasse ali, mais uma noite, quando chegasse na Fazenda Palmital, Dirce não mais conversaria com ele. Ele tinha a noção de como ela estaria magoada, por tê-la feito perder a prova. Mesmo terminando o serviço tarde, resolveu voltar para casa de seus pais. Pegou a caminhonete e voltou feliz. Tida levou algumas horas para chegar até a casa dos seus pais.
Quando chegou, sua mãe e seu pai já estavam dormindo, assim como Dirce. Mas ela acordou com o barulho do carro chegando. E levantou, para ver quem estava chegando. Carmelinda também se levantou. Quando Carmelinda saiu na sala, percebeu que Dirce já estava na varanda, aguardando o carro se aproximar da casa. Quando Tida desceu do carro para abrir a porteira, ela o reconheceu. Dirce disse a Carmelinda que era Tida e não Laucidio. Carmelinda ficou muito preocupada, pois achava que algo poderia ter acontecido com a Francisca, por estar chegando de carro àquela hora da noite. Dirce voltou para varanda e esperou Tida. Com a casa aberta, Carmelinda voltou a dormir tranquila.
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