quarta-feira, 27 de julho de 2016

A profissionalização


Com a pescaria, Tida percebeu a necessidade de construir um porto, um lugar para estacionar os barcos e pescar. Os lugares onde pescava eram muito sujos de mato e, às vezes, via animais peçonhentos por ali. Depois de alguns dias, esperando para receber as últimas parcelas das produções das lavouras, Tida conseguiu dinheiro para comprar o seu primeiro barco, pequeno, para poder sair e pescar em poços melhores, além das margens do rio.

Com as pescarias de barco, Tida conseguiu perceber que, mesmo naquele primeiro lugar, as margens do rio, poderia pegar muitos peixes. Conversou com seu pai e pediu-lhe para concluir a ideia de abrir o porto, onde amarraria o barco todos os dias. Durante alguns dias, Tida passou a levantar mais cedo, como fazia quando trabalhava na lavoura, para terminar seus afazeres da fazenda mais cedo. Assim, poderia ir para o rio começar a limpar a margem, podando algumas árvores, para que, quando fosse pescar, não tivesse sujeira na beira do rio.

Com a limpeza, Tida pode deixar suas varas de pesca armadas com iscas de peixes pequenos na margem do rio para, no outro dia, ter pescado peixes maiores. Sempre que voltava no outro dia, ele encontrava peixes como pintado, pacu e dourado. Tida ficava às margens do rio, pescando a noite toda. Ele só voltava no dia seguinte pela manhã para tirar o leite das vacas e ver sua esposa.

Assim ele ficou até seu filho nascer em junho de 1980, ficando a maior parte do seu tempo na beira do rio, pescando. Todos os peixes que pegava, conseguia vender na cidade ou para algumas pessoas que iam até a fazenda pescar. Certo dia, quando foi para cidade vender seus peixes, procurou a Colônia de Pescadores e oficializou a pescaria como sua profissão, tirando sua carteirinha de pesca. Agora, poderia pescar de barco e ter todos os direitos que um pescador poderia ter na época.









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