sexta-feira, 29 de julho de 2016

Adolfo Helpis Barbosa


Quando sua tia Ana chegou, preparou um remédio com ervas caseiras e deu para Dirce beber. Depois de quase duas horas, as dores aumentaram, até que a bolsa rompeu, dando início ao trabalho de parto. Dirce sofreu com dores por aproximadamente duas horas, quando conseguiu dar à luz a um lindo menino. Ela e Tida ficaram muito felizes, sabiam que seu filho mais velho teria um irmãozinho para brincar. Logo depois do nascimento, Ana deu banho em Dirce, que estava muito fraca. E também deu banho na criança. Depois, vestiu a criança e Dirce a amamentou. Alimentada, Ana o levou a criança para Tida carregar.

Ao se recuperar, Dirce começou a arrumar as coisas para irem embora. Carmelinda aproveitou e deu mais alguns pintinhos para seu filho. O sogro também já havia levado algumas vacas para Tida e as soltou no pasto formado perto de sua casa. Tida colocou as coisas no carro e levou Dirce para casa. Em casa, ela organizou as coisas de seus filhos e Tida foi tirar o leite das vacas. Ao voltar do mangueiro, Dirce já havia colocado o filho no carrinho e estava esperando por ele, para levar os pintinhos até o galinheiro, onde colocaria os pintinhos novos separados das galinhas antigas. Como Dirce não podia pegar peso, Tida foi buscar as lenhas para ela fazer o almoço no fogão a lenha.

Naquela semana, como não haveria turistas para pescar, Tida começou a organizar o quintal. Plantou algumas árvores frutíferas, como a jabuticaba e a laranja. Aproveitou também para fazer uma cobertura com palha de bambu para a área onde fora construído o fogão. As madeiras necessárias, ele usou as que tinham sobrado na construção da casa. Ao fazer o telhado, resolveu fazer um puxado na frente da casa para construir uma varanda coberta de palha. Naquela semana, Tida foi ao rio apenas para armar as varas com iscas. E voltava no dia seguinte, para olhá-las, ver se havia pego algum peixe.

Na tarde de domingo, grupos de turistas paulistas de Araçoiaba da Serra e Votorantim chegaram ao Palmital. Chegaram para acampar, trazendo alguns barcos, pois não queriam pescar de barranco com vara de bambu. Tida saiu com eles todos os dias para pescarem de barco. Dirce ficava em casa, cuidando dos filhos, de suas obrigações e dos bichos. Ela também tirava o leite das vacas. Nos afazeres, Dirce levava o filho mais velho para cuidar do mais novo. Nas horas vagas, Dirce preparava iscas para vender e lavava as roupas dos turistas no Córrego Aldeia. Ela aproveitava para levar os filhos, que gostavam de tomar banho ali enquanto ela lavava as roupas. Ela também preparava doces caseiros, queijos e requeijão para vender. Assim, além das iscas, os turistas compravam seus quitutes e doces. Deste modo, Tida e Dirce foram construindo as relações de amizade com as pessoas que ali chegavam para pescar. Nessa época, Tida já criava seus porcos e a quantidade de vacas havia aumentado.

A divulgação do Pesqueiro Palmital estava tão grande que o movimento de turistas aumentava a cada dia. Quando Tida estava fora, pescando, Dirce cuidava de tudo e ainda atendia os turistas que ali chegavam. Dirce cozinhava, buscava água no córrego, fazia as iscas com macinha de fubá e de milho, que colocava de molho na água, e iscas de minhoca que arrancava do varjão.

Quando a turma de turistas de Orlândia chegava, Tida geralmente pescava perto, pois o grupo era grande, de aproximadamente 30 pessoas. Mas quando ele saia para pescar de barco com o chefe da turma, ele ficava vários dias fora. A turma chegava a ficar mais de um mês pescando na beira do rio, em acampamentos feitos próximo a casa de Tida.

Ercílio havia saído da fazenda onde trabalhava com os pais e fora morar com Dirce e Tida. Além de ajudar Dirce, Ercílio também pescava com seu cunhado. Nesse ano, Tida conseguiu puxar luz para casa. Agora, os peixes poderiam ser guardados no freezer. Os turistas poderiam comer peixe frito com arroz. Dirce pegava os peixes guardados no freezer e os fazia para os turistas. Ela cobrava a refeição por pessoa.

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