sexta-feira, 29 de julho de 2016

Pesqueiro Palmital


Quando voltaram para casa, Tida levou Dirce até a divisa da Fazenda Aldeia, que havia limpado, e falou que com as economias que haviam feito, daria para construir sua casa de material. Aquele local seria chamado de Pesqueiro Palmital.

Como Dirce estava esperando mais um filho, Tida chamou Ercílio para pescar e pedir ajuda na construção da casa. Ercilio aproveitou que estava de férias e combinou de ir para casa de sua irmã para ajudar seu cunhado na construção da casa nova. No outro dia, quando chegou, Tida já o esperava para irem até a cidade e comprarem os materiais necessários. Tida queria construir a casa antes de seu filho nascer. Ele sabia que aquela nova casa também serviria como ponto de referência para os turistas que fossem pescar ali. A casa ficaria mais próxima ao rio.

Depois de 30 dias de muito trabalho, entre a construção da casa e as pescarias, Tida e Ercilio estavam com as paredes erguidas e em fase de acabamento da casa. Mas as férias de Ercilio haviam acabado. Como ele precisava ir embora, Tida, com muito esforço e sozinho, continuou com a construção em seus momentos vagos. Nos finais de semana, Ercilio voltava para pescar e ajudar seu cunhado com a construção. Dirce, mesmo grávida, sempre ajudava Tida. Mesmo que fosse apenas para o preparo de algumas iscas para ele ir pescar à noite.

À medida que os turistas ficavam sabendo que Tida tinha construído uma casa mais próxima ao rio, com facilidade em chegar até a barranca, eles começaram a vir com maior frequência. E, cada vez mais, havia maior divulgação do pesqueiro. A cada turista, uma nova propaganda, alguém novo que viria. Assim, com o passar dos meses, o fluxo de turistas foi aumentando. Com pouco tempo de folga, a casa ficou pronta após quatro meses de trabalho.

 Tida e Dirce fizeram a mudança faltando apenas dois meses para chegada do novo filho. Dirce ficou muito feliz com a casa nova e logo foi arrumar as suas coisas. Tida ficou mais tranquilo, pois ali sua mulher e seus filhos estariam mais próximos. Agora, ele pescaria mais tranquilo. Dirce, mesmo estando no final da gravidez, sempre que algum turista lhe pedia, cozinhava e, algumas vezes, lavava as suas roupas.

Faltando uns quinze dias para Dirce ter o neném, Tida a levou para a casa de sua mãe, pois iria sair para pescar e acampar rio acima. Ele não queri deixar sua esposa sozinha. Do lado de sua mãe, Dirce teria o que precisasse. Sua mãe estaria sempre ali, disposta a ajudar. Tida saiu para pescar e ficou acampado por duas semanas com uma turma de turistas de Orlândia, São Paulo. Nessa pescaria, Tida conseguiu pegar vários peixes de grande porte. Pintados, dourados e jaús com cerca de 40 kg cada. Os dourados chegavam a pesar 12 kg. Nessa pescaria, Tida faturou muito, pois além dos peixes que pegava para os turistas, aqueles que os pegava enquanto pescava sozinho, pois os turistas estavam no acampamento descansando ou fazendo alguma outra atividade, eles os vendia para eles.

Quando chegou à casa de sua mãe, Dirce estava passando muito mal. Já começava a sentir as primeiras dores do parto. Tida ficou muito feliz por chegar a tempo de ver o nascimento do filho. Dirce começou a sentir as primeiras dores em 16 de outubro de 1983. Como ela já havia tido seus dois primeiros filhos na casa de sua sogra, ela não quis ir para o hospital na manhã do dia 17 de outubro. Sua sogra queria que ela fosse, pois havia passado muito mal durante a noite toda. Carmelinda começou a achar que Dirce não daria conta de ter o filho com parto normal, mas Dirce insistiu, queria ficar ali, pois sabia que conseguiria ter o filho sem a ajuda de um médico.

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